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Melanina não exposta

Melanina não exposta

Repórter: Vitor Takatu

O racismo ainda está presente no cinema e na televisão. Esse é um problema que precisa ser comentado

Já se perguntou o porquê de existirem comentários sobre como Taís Araújo é uma ótima atriz negra e nenhum sobre como Paola Oliveira e uma ótima atriz branca? O racismo no cinema brasileiro é algo presente e deve ser comentado.

Eliza de Paula, mulher negra e periférica, comenta que raramente foi ao cinema e se sentiu representada, menos ainda em filmes brasileiros. De acordo com a ANCINE (Agência Nacional do Cinema), em 2016 apenas 8% dos atores principais dos filmes incentivados pelo órgão são pretos e pardos e 75,4% dos filmes foram dirigidos por homens brancos.

Eliza adiciona que não adianta colocarem negros como empregados ou ladrões. “O papel do cinema não é só mostrar a realidade, mas ajudar a mudar.” Filmes internacionais, como “Pantera Negra” vem ajudando a alterar essa imagem, inserindo representatividade e se tornando algo importante para as novas gerações.

Formada em Audiovisual, Leticia Mengele diz que para o cinema mudar, a indústria precisa de uma revolução. “O cinema atual é comandado por pessoas antigas. Os novos produtores precisam começar a se impor, fazer uma revolução.”

Letícia lembra que décadas atrás os produtores impossibilitaram negros de participar das produções, então era feito o blackface (expressão utilizada quando alguém não negro escurece a própria pele com maquiagens para algum papel). “Esse tema não é novo, mas a discussão precisa continuar”, diz a profissional. Ela comenta também sobre filmes independentes e diz que são ótimas referências de como fazer a representatividade acontecer. “Mas ainda precisamos que isso se torne mainstream, ou seja, que isso se torne algo de fácil acesso e incentivado.”

TELEVISÃO
Na televisão não é diferente. As novelas tendem a colocar negros como empregados e ladrões, como citou Eliza. Poucos meses atrás houve um escândalo envolvendo a Globo em uma de suas novas novelas. “Segundo Sol” tinha 26 atores escalados e apenas três deles eram negros. Mas, a novela se passa na Bahia,  estado que tem 76% de negros em sua população. Isso gerou um rebuliço na internet e até entre os atores.Em contrapartida, a emissora tem uma das produções com maior elenco principal negro, Mister Brown conta à história de um casal negro que depois do sucesso na música, começa à ter uma vida glamurosa.

Outras redes brasileiras também têm histórico de racismo. A Record TV e o SBT foram notificados, em 8 de junho, por falta de representatividade racial.

HOLLYWOOD
Na cidade dos anjos, a história só piora. O cinema americano já foi acusado de racismo diversas vezes. Por dois anos consecutivos o Oscar, premiação mais importante do cinema, não indicou nenhum ator ou atriz negros. Isso gerou uma lupa sobre o assunto e escancarou o problema. A academia tenta se redimir até hoje, mas sempre tem seu nome ligado a esse tipo de acusação.

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