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Sustentabilidade impulsiona empreendedores

Sustentabilidade impulsiona empreendedores

Repórter: Tainá Lourenço

Número de consumidores de produtos de materiais reciclados salta de 32% para 38% e abre caminho para novos empreendimentos

Os negócios sustentáveis podem abrir oportunidades econômicas no valor de pelo menos US$ 12 trilhões e gerar até 380 milhões de empregos por ano até 2030, segundo relatório publicado pela Business & Sustainable Development Commission (Comissão de Desenvolvimento Sustentável e Empresarial). Essas iniciativas fariam frente ao acúmulo de resíduos sólidos, entre outros recursos naturais que poderiam ser preservados com empreendedorismo sustentável.

São dois bilhões de toneladas de lixo produzidos no mundo anualmente, segundo dados divulgados pela ONU em 2018. O Brasil também não está de fora. Em 2017, a Associação Brasileira de Empresa Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) publicou em seu Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil que o País produziu quase 80 milhões de toneladas de lixo urbano, o que só agrava a situação por aqui, uma vez que o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo.

Joias feitas por Danusa aproximam o público da questão ambiental

Porém, o mercado sustentável vem ganhando força ao apresentar-se como alternativa para o problema ambiental. Esse nicho desperta o interesse do público e abre espaço de oportunidades, principalmente para aqueles que buscam ingressar no meio empreendedor. No ano passado, o Instituto Akatu divulgou levantamento de que em seis anos havia dobrado o número de brasileiros que adquiriram produtos feitos com materiais reciclados, passando de 29% para 48%. De acordo com a pesquisa, a adesão aos produtos que oferecem menor grau de impacto ambiental subiu de 32% para 38% novos consumidores.

Para a arquiteta Danusa Teodoro Sampaio, pós-graduada em Engenharia Urbana pela Universidade Federal de São Carlos (UFScar), a justificativa é o interesse maior da população por práticas de consumo consciente e justo. “É impressionante como as pessoas estão mais conscientes e esse é o meu público. São pessoas que querem praticar um consumo consciente, mais justo, que eu chamo de slow fashion. Aquele material que demora mais para ficar pronto porque ele não é industrial e não passa por um processo de maquinário. As pessoas querem algo que realmente tenha um conceito por trás”.

PRODUTOS ECOLÓGICOS O blog Opinion Box divulgou, também em 2017, que 91% dos consumidores se importam com a sustentabilidade do fornecedor do produto. O que é confirmado pela Pesquisa Akatu que destacou a preocupação com a origem dos produtos: a matéria-prima, as etapas do processo produtivo e o comportamento sustentável das empresas. Para Silvia Blumberg, produtora de joias ecológicas no Rio de Janeiro-RJ, as pessoas vêm mudando a mentalidade e experimentando mais. “Muitos são jovens que não dão tanto valor a objetos e coisas materiais”, afirma.

A produtora trabalha com materiais como cimento, areia da praia, bagaço de cana, papel, pó de madeira e pó de tijolo. “Eu acho que esse é um mercado promissor e obrigatório. A escassez já está aí, as pessoas vão ser obrigadas, não vai ser mais opcional. Estamos em uma transição onde isso ainda é opcional, mas a médio prazo será obrigatório porque muitos itens não serão mais encontrados”.

Os argumentos da designer fazem sentido ao observar que as promessas desse mercado vão além dos benefícios à biodiversidade e à manutenção de recursos naturais para as futuras gerações. Para Cleyton Moraes da Costa, que há três anos criou o Estúdio Reuse, em Ribeirão Preto, esse é um mercado que vai crescer bastante. “Porque se não fizermos isso, daqui uns dias teremos que sair de casa para dar espaço para nosso lixo. Se não, onde vamos colocar tanto lixo? Não tem saída. Precisamos conscientizar. Se não fizermos nada, daqui a 100, 200 anos teremos que deixar o planeta só para o nosso lixo e nos mudarmos para outro. Tem gente que pensa que isso é ficção. Não é ficção. Não estamos falando de 10, 20 anos, estamos falando em 200, 400 anos”, afirma.

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