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ADOÇÃO DE ANIMAIS GANHA FORÇA, MAS COMÉRCIO AINDA RESISTE

MARIA JÚLIA CHIAVENATO

Comprar ou adotar? Essa é a questão.

A resposta passa longe das milhares de lojas Pet esparramadas pelo Brasil. O fato é que o comércio de animais de estimação, cachorros e gatos em sua maioria, ainda continua forte, apesar dos apelos e da campanha humanitária pela adoção. É cada vez maior a participação de entidades ligadas ao bem estar animal que se posicionam contra o que classificam de exploração animal, a compra e venda de inocentes filhotes. Ainda não há números e censo suficientes para se apurar resultados.

Os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2013, mostram que há 132 milhões de pet no país. 53 milhões são cachorros, 38 milhões aves de pequeno porte e 22 milhões de gatos. Outros 20 milhões são de peixes ornamentais e repteis de pequeno porte. É a quarta maior população de animais de estimação do mundo e a terceira maior em faturamento, ou seja, 5,14% da fatia global. O Brasil tem cerca de 30 mil lojas ou pontos de atendimento, distribuídos entre pequenos e gigantescos varejistas. Em termos percentuais, 44,3% dos 65 milhões de domicílios brasileiros possuem pelo menos um cachorro e 17,7% ao menos um gato, de acordo com dados do IBGE.

O Instituto Luisa Mell, por exemplo, fundado em fevereiro de 2015, resgata animais feridos ou em situação de risco. Eles mantem um abrigo com cerca de 300 animais entre, cães e gatos, onde são acolhidos, protegidos, alimentados e aguardam por um novo lar. Em feiras de adoção, que acontecem em todo o país, os animais costumam já vir castrados e vacinados, o que torna ainda mais simples o processo de adoção.

Médicas veterinárias e também proprietárias de lojas pet, profissionais não se acanham na hora de aconselhar: adotar é melhor do que comprar. Ou seja, lutam para tornar mais ‘humano’ o processo de escolha do animalzinho de estimação. “Se não for adotar, é importante que a pessoa saiba a procedência do animal que está adquirindo, visitando o canil/gatil, conhecer os criadores e o tratamento que os animais estão recebendo, inclusive as matrizes e reprodutores”, diz Lívea Giovanini, médica veterinária e proprietária de pet shop.

Ana Carolina Bonato, médica veterinária e criadora de cães, confirma e diz que a venda de animais de estimação deveria passar por maior controle de higiene, bem-estar animal e padrão racial através de cadastro e fiscalização dos canis. E cita exemplos: “Um canil clandestino, mal formado e pior ainda administrado por acarretar problemas futuros para o animal, seja em seu desenvolvimento físico ou mesmo psicológico. Deficiências que teremos de corrigir com maior dificuldade”. Ela sabe, por exemplo, que animais sem a devida estética da raça correm o risco de serem rejeitados pelo mercado, inclusive com casos comprovados com devolução.

Segundo elas, animais de pequeno porte são os alvos preferidos pelas famílias que adotam, principalmente as que tem filhos menores, entre os três e doze anos. A procura maior ainda é por fêmeas e pelagem clara, em alguns pontos do país os cães negros são menos procurados. Em Ribeirão Preto as raças mais procuradas são o Yorkshire, Shihtzu, Maltês e Lhasa Apso com valores que variam entre R$ 1.200 e R$ 5 mil, dependendo do sexo, raça e cor da pelagem. Mas há casos que atingem cifras de R$ 12 mil, como um Spitz alemão.

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